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Óscar Gil Amaral Pereira

Os trabalhos exibidos nesta página são criações do Macongino Óscar Gil Amaral Pereira, com recurso à inteligência artificial e a sua visualização foi por ele cedida ao site de Maconge.

Breve Apresentação

Nasceu na vastidão quente da Chibia, em 1952, onde o vento levanta poeira vermelha e as histórias se transmitem tanto pela voz quanto pelo silêncio. Óscar Gil Amaral Pereira cresceu entre horizontes largos, talvez pressentindo que um dia iria persegui‑los com uma câmara ao ombro.

Em 1964, inicia a sua carreira académica no Liceu Nacional de Diogo Cão, que frequentou até 1972, participando ativamente no meio estudantil, onde os seus dotes oratórios (de oração) o carrearam á posição de Bispo da Academia.

Quando Angola se fez independente, ele era ainda muito jovem, mas a juventude nunca o impediu de caminhar para onde poucos ousavam ir. Com 22 anos, recebeu uma Arriflex 16 mm, não como um simples instrumento de trabalho, mas como uma extensão do olhar. E foi com ela que entrou na história, documentando a formação de um novo país. Não filmava apenas batalhas; filmava o que a guerra deixava nas pessoas. Esteve em Kifangondo, em Cacuaco, em Cassinga, lugares onde o tempo parece ter parado no instante do impacto. As suas imagens não eram apenas registos: eram testemunhos, eram o país a falar através da lente.

Com o passar dos anos, Óscar Gil tornou‑se mais do que um repórter de guerra. Tornou‑se realizador, formador, guardião da imagem. Defendeu sempre que o cinema angolano precisava de técnica, de escola, de rigor, mas também de alma. E isso, ele tem de sobra.

Em outubro de 1982, teve que se deslocar a Portugal, para acompanhar um filho transferido para Lisboa com malária. Nesta cidade é atropelado, o que lhe vale uma hospitalização de quatro meses. Vendo-se sem meios de subsistência e sem apoio, é forçado a procurar trabalho, ingressando na Telecine-Moro e depois para a Nicolau Brayner Produções, onde permanece sete anos. De seguida, passa para o cinema documental, tendo trabalhado com uma série de renomados realizadores e produtores.

Ganhou mundo e em 1999, dezoito anos decorridos sobre a sua saída de Angola, regressa ao país natal para formar a sua própria produtora. Em 2023, foi homenageado no Doc‑Luanda, não apenas pelo que filmou, mas pelo que preservou: a memória de um país que aprendeu a levantar‑se, mesmo quando tudo parecia ruir.

Hoje, o nome de Óscar Gil Amaral Pereira ecoa como o de um homem que viu demasiado, mas que nunca deixou de acreditar no poder da imagem para iluminar o que a guerra tentou apagar. Um homem que transformou a dor em documento, o caos em narrativa, e a história em cinema.

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